sexta-feira, 5 de agosto de 2022

Entra Vasco, 1946

Compositores: Arnaldo Paes e Ari Monteiro

Intérprete: Aracy de Almeida

Acompanhamento: Abel com Claudionor Cruz e Seu Conjunto

Gravação: 29/11/1945 (lado A do 78 rpm nº 12.659 da Odeon – Matriz 7945).

Áudio: arquivo IMS

Foto: selo do disco (reprodução internet)


 Letra:

 

Eu já não bebo mais o meu vinho alvaralhão,

Troquei minha guitarra por um bom violão,

Eu já não posso, ai, eu já não posso,

Tomar cerveja preta acompanhada por tremoços

Coro: Eu já não posso, ai, eu já não posso,

Tomar cerveja preta acompanhada por tremoços

 

Sou lusitana, natural da Beira Alta,

Aqui no Rio só gosto é da Cruz de Malta

Ainda me dizem que eu só gosto de churrasco,

Quando o time entra em campo eu só grito: “Entra, Vasco!”

 

O “Jornal das Moças” de 12/08/1943, três anos antes do lançamento da música acima, fala sobre Aracy de Almeida e seu time do coração:

“A Aracy de Almeida também já gostou de futebol. Às vezes ela fazia aquele coro característico e antigo: ‘Entra Vasco, etc., etc...’, hoje, coitada, ela não torce mais, está ‘na cerca’.”

O tema de “Entra Vasco” é uma lusitana que, aos poucos, vai abandonando os hábitos portugueses (vinho alvaralhão, guitarra, tremoços...) e se abrasileirando. Seu time de coração, como não poderia deixar de ser, é o Vasco.

Entre 1938 e 1942, Aracy foi casada com o goleiro José Fontana, conhecido como Rey, que jogou no Vasco de 1933 a 1938 e foi campeão carioca em 1934 e 1936.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

No Boteco do José, 1945

Compositores: Wilson Batista e Augusto Garcez

Intérprete: Linda Batista

Acompanhamento: Benedito Lacerda e Seu Regional

Gravação: 21/09/1945 (lado A do 78 rpm nº 80-0348 da Victor – Matriz S-078294).

Áudio: arquivo IMS

Foto: Revista do Vasco de abril de 1961.


 Letra:

 

Vamos lá

Que hoje é de graça

No boteco do José

Entra homem, entra menino

Entra velho, entra mulher

É só dizer que é vascaíno

Que ali tudo lelé

 

Coro: Vamos lá

Que hoje é de graça

No boteco do José

Entra homem, entra menino

Entra velho, entra mulher

É só dizer que é vascaíno

Que é amigo do Lelé

 

Solta foguete até de madrugada

Canta-se o fado bebendo achampanhada

Segunda-feira só abre por insistência

Quando o Vasco é campeão

Seu José vai à falência!

 

Em 1945, o Vasco foi campeão invicto (com 13 vitórias e 5 empates) e Lelé foi o artilheiro do campeonato, com 13 gols. “No Boteco do José” foi um sucesso no carnaval seguinte.

Manuel Pessanha, o atacante Lelé (23/03/1918 – 16/08/2003), jogou no Vasco de 1943 a 1948. Foi revelado pelo Madureira, onde, com Isaías e Jair Rosa Pinto, formou um trio apelidado de “Os Três Patetas”. Em 1943, os três foram para o Vasco. Lelé foi novamente campeão carioca invicto em 1947 e campeão sul-americano (também invicto) em 1948.

A música foi relançada em várias coletâneas e regravada por diversos intérpretes. Uma de suas releituras é o “Interlúdio Nada Romântico nº 03, ou No Boteco do José”, um pot-pourri com mais três músicas, todas com temática de futebol, escritas pelo compositor rubro-negro Wilson Batista:

 

- “Coisas do Destino”:

Ai, ai, são coisas do destino

Sou Rubro-Negro

Meu patrão é vascaíno (...);

 

- “Samba Rubro Negro” (em parceria com Jorge de Castro);

 

- “...E o Juiz Apitou” (em parceria com Antônio Almeida):

Eu tiro o domingo para descansar

Mas não descansei

Que louco eu fui

Regressei do futebol

Todo queimado de sol

O Flamengo perdeu

Pro Botafogo

Amanhã vou trabalhar

Meu patrão é vascaíno

E de mim vai zombar (...).

 

Essa versão, interpretada por Cláudia Ventura e Rodrigo Alzuguir, é a faixa 24 do CD 2 “O Samba Carioca de Wilson Baptista – O espetáculo” (Biscoito Fino, 2011).

sexta-feira, 22 de julho de 2022

A Sinfonia dos tamancos, 1944

Compositor: Roberto Martins

Intérprete: Gilberto Alves

Acompanhamento: Fon-Fon e Sua Orquestra 

Gravação: 01/09/1944 (lado A do 78 rpm nº 12523 da Odeon – Matriz 7643).

Áudio: arquivo IMS

Foto: A Manhã Esportiva de 10/01/45.



Letra:

 

Plaque, plaque, plaque,

Plaque, plaque,

O meu leiteiro

Já tem dinheiro nos bancos.

Plaque, plaque, plaque,

Plaque, plaque,

Ele inventou

A sinfonia dos tamancos.

 

De madrugada

Ele acorda a freguesia,

Com os tamancos

Tocando a sinfonia

É Vasco até morrer,

Só bebe alvaralhão,

E ainda é sócio

De um varejo de carvão.

 

A coluna “Carnaval”, do jornal A Manhã de 27/01/1945 conta que a música, a princípio, não foi bem-recebida pela comunidade portuguesa:

“Logo após ter sido lançada a marcha ‘Sinfonia dos Tamancos’ (...) formou-se uma onda de murmúrios no seio da briosa Colônia Portuguesa.  É inconcebível e irritante, diziam uns; devemos protestar, argumentavam outros.” (...)

“Mas, toda essa onda foi se amainando, e, já não se fala mais em ‘extermínio’ da música. Atualmente, até a colônia canta satisfeita a gostosa melodia carnavalesca.”

Em entrevista veiculada na mesma coluna, o autor diz que teve a ideia para a composição em Paquetá, quando observou que na ilha se usava muito o tamanco, “por ser mais cômodo e aconselhável”. O ruído constante do “plaque-plaque” do calçado o inspirou. Ele explicou também a citação ao Vasco, mesmo sendo torcedor do América:

“Meu amigo, sou descendente de portugueses. Quase toda a minha família viu a luz do dia na terra de Camões. Portanto, não importa o fato de ser adepto fervoroso do América, e ter as minhas simpatias pelo grêmio cruz-maltino, que considero uma das expressões máximas dos desportos metropolitanos.”


Hino em Homenagem ao C. R. Vasco da Gama, 2014

Compositor e Intérprete: Adão José de Albuquerque Áudio: Youtube – Canal @hrebecchi Foto: reprodução internet   Letra:   Rio naveg...