Compositores: Maurício Murad e Tiãozinho do Salgueiro
Intérprete: Tiãozinho do Salgueiro
Áudio: enviado por Maurício Murad
Foto: reprodução internet
Letra:
Foi no ano da graça de 1923,
Festejando 25 anos de sua fundação,
Que o clube do imigrante português,
Do futebol do Rio foi o campeão
Timaço de gente humilde
Reunindo pela primeira vez
Pretos e pobres, povo simples da
Capoeira e do samba, ginga que
Transformou o futebol
Elitista, racista e inglês,
Numa ópera escrita com os pés,
A arte do songamonga
Quem venceu no futebol a
Escravidão foi o Vasco, com
Liberdade, ginga e criatividade
Isso mudou o futebol brasileiro
E balançou o preconceito,
Em nossa sociedade.
Aquele timaço foi o pioneiro,
Do estilo de jogar com habilidade
Nelson, Mingote, Nicolino,
êê Nicolino,
Negrito e Bolão, Bolão,
Paschoal, Torterolli e Arlindo,
Ceci, Arthur e Leitão
Do futebol democrático,
Vocês são os jogadores,
Campeões e pioneiros,
Campioneiros de todas as cores
Nós fizemos por merecer
Vasco ao nascer, Vasco até morrer
Nós fizemos por merecer
Vasco ao nascer, Vasco até morrer
A Revista do Vasco nº 16 (abril/junho de 2011) trouxe a reportagem “Orgulho da própria história – Líderes da luta contra o preconceito racial elogiam a nova terceira camisa vascaína” e a letra do samba acima, gravado por Tiãozinho do Salgueiro e disponibilizado para download.
No site oficial do clube, podemos ler mais detalhes sobre a “Resposta Histórica” de 1924 e o pioneirismo do clube na luta contra o racismo:
“Em 1915, o Vasco da Gama adotou a prática do futebol. (...) No ano de 1923, o Vasco da Gama conquistou o seu primeiro título de Campeão Carioca. O Clube, com um time recheado de jogadores das camadas populares, os lendários Camisas Negras, conseguiu desbancar um a um os seus adversários. Realizando uma campanha espetacular, a equipe vascaína fez história ao conquistar pela primeira vez o campeonato com jogadores negros e brancos de baixa condição social, abalando a estrutura do racismo e do preconceito social existentes no futebol. De 1906 a 1922, não havia jogadores das camadas populares nas equipes que conquistaram o campeonato de futebol da cidade do Rio de Janeiro.
A conquista do Campeonato de 1923 foi um marco esportivo para o futebol brasileiro e um divisor de águas na evolução do esporte em nosso país. Essa façanha vascaína revoltou àqueles que monopolizavam os títulos e que comandavam o futebol na Liga Metropolitana de Desportos Terrestres (LMDT), principal associação de agremiações que praticavam esse esporte na então maior metrópole do Brasil. Nos primeiros meses de 1924, em resposta à ousadia do Vasco da Gama em formar uma equipe que representava a diversidade do povo brasileiro, ocorreu uma cisão que resultou na criação de outra liga, a Associação Metropolitana de Esportes Athleticos (AMEA). O Vasco foi convidado a participar dessa entidade e a princípio aceitaria entrar na nova liga. Porém, exigiram do Clube que excluísse 12 (doze) jogadores de suas equipes, 7 (sete) do primeiro quadro e 5 (cinco) do segundo quadro, pois, esses atletas estariam em desacordo com os “padrões morais” necessários para a prática do futebol. Nossos jogadores eram vistos como os “indesejáveis” do futebol.
Em resposta às exigências da AMEA, marcadas pelo racismo e o preconceito social, o então presidente vascaíno, José Augusto Prestes, emitiu um ofício comunicando que o Clube desistiria de fazer parte da nova liga, por não aceitar a exclusão de seus atletas e por “(…) não se conformar com o processo porque foi feita a investigação das posições sociais desses nossos consórcios, investigação levada a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa”; (Ofício CRVG nº261, 07 de abril de 1924). A “Resposta Histórica” demarca uma postura institucional inequívoca do Vasco da Gama alinhada com as camadas populares e na defesa de um futebol democrático, sem preconceito racial/étnico e social.”





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